Fachin pede reunião com diretor-geral da PF sobre envolvimento de ministros no Caso Master

 



Resumo
O presidente do STF, Edson Fachin, pediu à Polícia Federal que investigue o suposto envolvimento de ministros da Corte no caso do Banco Master, defendendo uma apuração rigorosa e "sem exceção de pessoas". O ofício ocorre após atritos entre a PF e o ministro André Mendonça por causa de um relatório que citou Alexandre de Moraes e o procurador-geral Paulo Gonet. Fachin defendeu a isenção dos órgãos e o devido processo legal para manter a credibilidade das instituições.


O ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin pediu uma reunião com o diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues. O tema do encontro seria o envolvimento de ministros da Corte com o caso Master, segundo noticiou a GloboNews e confirmou com um ofício a Noticia sem censura.

Na comunicação à PF, Fachin manifestou a disposição de investigar tudo, "sem exceção de fatos ou pessoas".

A Corte vive uma crise institucional sem precedentes, originada pelas suspeitas de envolvimento de ministros na trama de corrupção, e eclodiu em setembro de 2026, a partir de avanços nas investigações sobre o Banco Master, instituição financeira liquidada em novembro de 2025 após a Operação Compliance Zero da Polícia Federal.


O banco, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, foi acusado de um esquema bilionário de fraudes no sistema financeiro, envolvendo a aquisição e venda de carteiras de crédito sem lastro.

Com a apreensão do celular de Vorcaro, a PF identificou mensagens, encontros e relações que alcançavam políticos, senadores e pelo menos cinco ministros do STF, transformando uma apuração financeira em um escândalo de grandes proporções institucionais.


Mendonça dá primeiro passo


O estopim da crise ocorreu no início de setembro, quando o ministro André Mendonça, relator do caso após a saída de Dias Toffoli, retirou o sigilo de um relatório da PF.

O documento apontava 52 mensagens enviadas por Vorcaro a um número vinculado a Alexandre de Moraes nas semanas anteriores à prisão do banqueiro, além de encontros pessoais e a revisão, pelo próprio Moraes, de um contrato de cerca de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de sua esposa.

Moraes negou irregularidades, pediu a abertura de investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade e direcionamento de apurações, e o embate se intensificou com decisões conflitantes sobre o comando da Polícia Federal.

O presidente do STF, Edson Fachin, interveio para conter a escalada: suspendeu decisões monocráticas conflitantes, retirou o caso do inquérito das fake news conduzido por Moraes, determinou o levantamento de sigilos e levou a controvérsia ao plenário. A divisão interna da Corte se aprofundou, com alas alinhadas a Mendonça (incluindo Fux, Toffoli e Nunes Marques) e a Moraes (com apoio de Gilmar Mendes, Zanin e Dino).

A crise se arrastou por quase um mês, afetou a agenda do tribunal, gerou discussões sobre um código de ética para ministros e chegou a respingar no Tribunal Superior Eleitoral às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026.

Especialistas e juristas classificaram o episódio como sem precedentes na história do STF. Pela primeira vez, ministros se acusaram mutuamente sobre casos concretos de corrupção de forma pública e a Corte precisou deliberar sobre a possibilidade de investigar um de seus próprios membros.

O caso Master expôs relações de proximidade entre magistrados e o sistema financeiro, fortaleceu debates sobre transparência, redução de decisões monocráticas e reformas no Judiciário, e deixou o tribunal dividido e sob forte pressão política em ano eleitoral. O impasse persiste nas primeiras semanas de outubro, com pedidos de vista e ausência de resolução definitiva.


Edson Fachin, enviou nesta sexta-feira, 2, ofício ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em que pede investigação sobre eventual envolvimento de ministros da Corte no caso do Banco Master. No documento, ele se compromete a dar encaminhamento as ações de apuração e prega a condução dos trabalhos "sem qualquer exceção de fato ou de pessoa".

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, pediu apuração à PF
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, pediu apuração à PF
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

"Reitero que o nosso propósito é assegurar que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos, sem qualquer exceção de fato ou de pessoa, com observância rigorosa do devido processo legal, da competência dos órgãos constitucionalmente incumbidos da investigação e da persecução penal e das garantias próprias da jurisdição", diz.

Fachin cita, logo no início de seu comunicado, "a existência de informações, dados, documentos, elementos ou indícios relacionados a eventual envolvimento de integrantes deste Supremo Tribunal Federal em fatos objeto de apuração no contexto do denominado caso Banco Master".

Também demonstra confiança na isenção da PF e do Ministério Público Federal e defende que as investigações devem fortalecer a credibilidade dos órgãos.

"A preservação da confiança pública nas instituições exige que eventuais ilícitos sejam investigados com seriedade, transparência e respeito à ordem constitucional."

Contudo, pediu respeito aos limites da competência de cada órgão. O recado ocorre após atritos entre a cúpula da PF e o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo, que solicitou produção de relatório no qual foi detalhada a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com seu colega de tribunal Alexandre de Moraes e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Tanto a PF quanto a PGR pediram nulidade do relatório, que também menciona Rodrigues.

"Almeja-se que a apuração se desenvolva com estrita observância das normas constitucionais e processuais aplicáveis, preservando-se, de um lado, a autonomia das instituições responsáveis pela investigação e pela persecução penal e, de outro, as competências constitucionalmente atribuídas ao Supremo Tribunal Federal."

No fim, o ministro confirma uma audiência entre ele e Andrei, sem citar a data e o horário em que o encontro será realizado.

"A circunstância merece registro, sobretudo porque há inequívoco interesse institucional em que todo e qualquer fato relevante seja rigorosamente apurado, sem exceção de qualquer natureza".




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